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    A importância da energia nas nossas vidas e a interdependência entre a economia e a energia do país

    adminBy admin27 de março de 2013Nenhum comentário5 Mins Read
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    A necessidade de Energizar cada vez mais o Brasil é a ordem do dia, inclusive em Brasília. Logo, convidar Vicente Rauber, Engenheiro Especialista em Planejamento Energético e Ambiental, Ex-CEEE e Ex-REFAP/PETROBRAS para melhor esclarecimento sobre o tema é uma necessária obviedade.

    Acompanhem: é um passeio em área superinteressante.

    Engenheiro Rauber, no atual estágio de desenvolvimento e crescimento do Brasil, qual é a importância da energia em nossas vidas?

    Nossas vidas são literalmente movidas por diferentes energias. Poderíamos falar de sonhos, esperanças, coragem, ousadia e outros sentimentos e atitudes que nos fazem superar adversidades e buscar um mundo melhor.

    No presente caso, mas não de forma excludente, desejamos refletir no plano mais material das energias estes recursos que retiramos da natureza, viabilizando nossas atividades e promovendo desenvolvimento e qualidade de vida.

    A frase “nossas vidas são movidas por diferentes energias” pode ser melhor explicada?

    Em nossas residências a energia elétrica, o GLP-Gás Liquefeito de Petróleo, popularmente conhecido como gás de cozinha e à lenha – ainda usada em quantidades significativas- cumprem papéis essenciais.

    Com a energia elétrica obtemos a luz, a manutenção dos alimentos em geladeiras e freezeres, ar condicionado, banho quente e o uso cada vez maior de aparelhos eletrodomésticos e eletrônicos. Com o GLP ou à lenha cozinhamos nossos alimentos, utilizando-os ainda para aquecimento da água do banho ou outras finalidades. Ah, não podemos esquecer do carvão vegetal para o churrasco.

    Para nos locomovermos, seja a trabalho, a lazer ou outra finalidade, por transporte coletivo (ônibus, trem) ou individual (carros), usaremos fundamentalmente combustíveis de derivados de petróleo (óleo diesel, gasolina), biocombustíveis (álcool, biodiesel) ou gás natural.

    O mundo do trabalho-agricultura, indústria, serviços, comércio, lazer – é igualmente dependente da eletricidade, dos derivados de petróleo, gás natural, biocombustíveis, lenha e outros…

    O senhor deixou claro que todas essas energias são retiradas da natureza…

    Sim, todas as formas de utilização das energias (eletricidade, combustíveis e outras) viabilizam-se com o uso de recursos da natureza, renováveis ou não. A energia elétrica é uma das maiores conquistas da humanidade, pelas suas infindáveis utilidades e grande eficiência tanto na geração como no uso; necessita de reservatórios e quedas d’água (usinas hidrelétricas), ventos (eólica), raios solares (solar) ou combustíveis, como é o caso do carvão mineral ou gás natural (termelétrica). Os combustíveis para o transporte, indústrias e outras finalidades são obtidos pelo refino do petróleo, pelo uso do gás natural, carvão mineral ou de produtos agrícolas para a produção de biocombustíveis.

    Em resumo, o senhor quer adiantar, que teremos impactos ambientais ao usarmos qualquer energia?

    Sempre! Qualquer atividade humana gera impactos ambientais, sociais e econômicos. Na produção, transporte e uso de qualquer recurso energético, não é diferente. Até porque estamos, em qualquer alternativa, utilizando algum recurso natural, além de gerarmos impactos para o meio-ambiente, que são diferenciados a cada caso. Na queima de combustíveis, especialmente o carvão mineral e os derivados de petróleo, temos poluição do ar. Esta situação é bastante amenizada com o uso do gás natural e dos biocombustíveis – etanol e biodiesel – que, por sua vez, requerem grandes áreas agrícolas. Na implantação de hidrelétricas alagam-se significativas áreas para fazer os reservatórios d’água.

    O Brasil já está tomando alguma providência neste sentido?

    Nosso país já faz muito. Enquanto garante energias de boa qualidade o tempo todo (evita os chamados “apagões”), trata de produzir, transportar e consumir com menos impactos.

    Exemplificando: a Petrobras hoje investe bilhões em unidades fabris para a retirada de enxofre e outros poluentes da gasolina e do óleo diesel, enquanto os fabricantes de automóveis e caminhões desenvolvem motores mais eficientes. Implantam-se, principalmente na Amazônia, hidrelétricas “a fio d’água”, com reservatórios menores, mas que também produzem menos energia.

    Desenvolvemos e usamos mais energias dos ventos e do sol. Mesmo assim, temos ainda muitos caminhos a desenvolver e melhorar, até porque a qualidade de vida que desejamos para todos(as) requer muita energia.

    O senhor também falou de impactos econômicos e sociais…

    Com certeza! Sugiro que as pessoas façam as contas: somem quanto cada um (a) gasta na conta de luz, nos postos de gasolina, nas passagens de ônibus, trem ou avião, com os botijões de gás e verifiquem quanto esse valor representa no orçamento familiar do mês. Isso, sem esquecer que em todos os outros produtos e serviços que consumimos e utilizamos existe uma energia agregada, ou seja, também foram necessárias energias para serem produzidos e transportados. Para que as pessoas tenham acesso às diferentes energias, produtos e serviços, necessitam de renda.

    E como está o RS quanto a este aspecto?

    Temos grandes avanços e muito caminho por onde andar. Na área do petróleo temos a ampliação e modernização da REFAP (Canoas), a implantação do Polo Naval de Rio Grande e São José do Norte, mais um Polo Naval em Charqueadas e maior atendimento às compras da Petrobras.

    Faltam muitos trabalhadores qualificados para atender todas as demandas, há esforços visando superar esta dificuldade. Na energia elétrica continuamos “importando” mais de 60% dos demais estados, temos recursos naturais para desenvolver mais geração. Um dos “nós” fundamentais a serem desatados é encontrar tecnologias acessíveis para utilizar nosso carvão mineral com menos poluição e mais eficiência.

    Neste momento, em que o governo federal novamente coloca a geração termelétrica a carvão mineral no próximo leilão de energia elétrica, temos uma oportunidade fundamental para avançar nesse quesito.

    Temos que buscar um desenvolvimento “dito” sustentável?

    Permitam-me utilizar um conceito do mestre Bristoti, com quem tivemos o privilégio de conviver na década de 90, quando não se falava em “sustentabilidade” e sim em “desenvolvimento equilibrado”.

    O mestre desenhou um triângulo equilátero (três lados e três ângulos iguais), tendo em um dos vértices o “E” de Economia, no outro o “E” de Energia e no terceiro o “E” de Ecologia, criando uma figura que, por si só, explica a importância do “desenvolvimento equilibrado”, que, aliás, está presente também em uma frase tão forte e tão verdadeira, que considero ideal como encerramento de nosso “passeio” por este tema atual: “Para melhor valorizar a natureza, é preciso, sempre, mantê-la equilibrada.”

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