
De hoje até terça-feira ou quarta de madrugada o Brasil vive o Carnaval. Ao vivo, ou pelas redes sociais e coberturas de TVs, em salões de baile, nas ruas e avenidas. O Carnaval no Brasil existe desde os meados do século XVII, trazido pelos portugueses. Se caracterizava inicialmente pelo Entrudo, uma brincadeira popular que consistia em atirar água, farinha e ovos nos outros, antes da Quaresma. A brincadeira caiu em desuso, porque criava embaraços entre os envolvidos e às vezes chegava a ser violenta.
O Carnaval como conhecemos hoje, foi evoluindo a partir de 1910, embalado pelo samba e formação de escolas, desfiles em carros alegóricos e blocos populares que até hoje se caracterizam pela irreverência. Festividades e bailes em clubes e sociedades privadas para pessoas de maior poder aquisitivo também evoluíram e eram muito frequentados até a década de 1990, inclusive nos clubes da região. As pessoas que frequentavam estes bailes caprichavam nos trajes e fantasias, para receber ou não distinção.
NA SAPUCAÍ, O MAIOR CARNAVAL DO MUNDO – O sambódromo da Marquês de Sapucaí foi inaugurado em 1984, durante o governo de Leonel de Moura Brizola (1º mandato 1983/1987). Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro, que era vice no governo. O complexo foi construído em apenas 120 dias, com o objetivo de ter uma estrutura permanente para os desfiles das escolas de samba, substituindo as antigas arquibancadas, que eram montadas e desmontadas. A Marquês de Sapucaí tem cerca de 700 metros e é palco do maior carnaval do mundo e atrai turistas do mundo todo.
CIEPS e briga com a Globo – O diferencial do projeto brizolista foi o uso duplo do espaço. Sob as arquibancadas foram construídas parte das salas de aula, os conhecidos CIEPs, onde estudavam centenas de crianças. Infelizmente este projeto inovador de otimização de espaços e integração das comunidades com foco também em educação, foi descaracterizado ao longo dos anos. No carnaval, o espaço serviria para os desfiles. Nesta mudança, que envolvia também a mudança de horários, prevista pelo Governo Brizola, a Globo não gostou porque os desfiles passaram a ser divididos em dois dias: domingo e segunda, aumentando a arrecadação e organização do evento. A Globo se opôs ao projeto de construção e aos dias dos desfiles porque atrapalharia a grade de programação da emissora. Brizola tinha ressentimentos contra Marinho, porque alegava ter sido prejudicado nas eleições para o governo do Rio. Para dar uma resposta, Brizola deu o direito de transmissão para a Manchete, mas o contrato não durou muito e a Globo passou a ter hegemonia novamente sobre as transmissões de Carnaval como continua até hoje.
É propaganda política?
Dois pesos duas medidas
Quando o Brasil comemorou 200 Anos de Independência, no dia 7 de setembro de 2022, por obvio teve comemorações para celebrar a data, coincidindo com o ano de eleições, durante o Governo Bolsonaro. O ex-presidente durante o seu mandato resgatou valores de amor à Pátria e símbolos nacionais, tendo nesta retomada recebido grande adesão dos brasileiros de forma natural e orgânica. No dia das comemorações, milhares de pessoas foram a Brasília para assistir os desfiles cívico-militares que estavam interrompidos em função da pandemia na Esplanada. Depois dos atos oficiais em outro local de Brasília e em diversos pontos do país houve manifestações políticas de apoio ao então presidente Bolsonaro, com grande público. Ele foi criticado pela Globo, processado por adversários políticos e condenado pelo TSE por abuso de poder econômico e político nas comemorações do Bicentenário. Com a decisão foi declarado inelegível por oito anos.
O Carnaval e Lula – Com a participação e patrocínio do Governo Lula no Carnaval do Rio, a polêmica volta, principalmente pelo samba-enredo de uma das escolas, que canta que o Lula é a esperança…. Para o deputado federal Marcel van Hattem (Novo) que entrou com uma representação no TCU, “Lula tenta transformar o Carnaval do Rio em palco de propaganda eleitoral antecipada. O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, que se assume como escola petista, tem um vereador do PT como presidente de honra, traz jingles históricos do petista, menciona a polarização de 2022, repete várias vezes o 13. É promoção política evidente.”

